AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO
Lembre-se de que não há razão para que aquele pecado seja entendido de forma diferente da que a Bíblia apresenta: um casal que desobedece a uma ordem direta de Deus e come um fruto real. Infelizmente, até hoje, muitos pensam ser essa uma “história da carochinha” e que a verdade quanto ao primeiro pecado tem a ver com sexo. A Bíblia deixa muito claro que Adão e Eva já desfrutavam da intimidade sexual antes da queda e que essa intimidade era ordenada e abençoada pelo Senhor Deus, não era um relacionamento sujo ou impuro.
Mas, continuemos o estudo de onde paramos, e tratemos dos acontecimentos que sucederam a queda do homem. Creio que o texto a seguir retrata bem a nova situação: Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? (Gn 3.7-9). Veja que a primeira conseqüência da queda foi a destruição dos relacionamentos (lembre-se de que o homem foi criado para se relacionar com Deus e com o mundo criado).
O primeiro relacionamento rompido foi do ser humano consigo mesmo, ou seja, sua auto-estima foi afetada. Ele olhou para si mesmo e – pela primeira vez – não gostou do que viu. Note que antes de pecar, sua aparência não o incomodava, mas, agora, antes de dizer ou tomar qualquer outra atitude, ele se preocupa
É curioso como ninguém está satisfeito com a sua aparência. Quem tem os olhos claros, por exemplo, gostaria que eles fossem escuros e vice-versa; quem nasce com cabelos lisos, gasta dinheiro todo mês para torná-los cacheados, e, por outro lado, quem tem o cabelo cacheado desejaria que este fosse liso. Conheço ainda muitas pessoas que não gostam sequer de se olhar no espelho, porque se acham esquisitas. Isso é reflexo da quebra de nossa auto-estima, a destruição do primeiro nível de relacionamento do ser humano. Na conversão, essa relação deve ser restaurada, pois o Espírito Santo reconstrói em nós a imagem e semelhança do Pai. É por isso que não pode haver espaço em nosso eu para complexos e traumas depois que somos feitos novas criaturas
O segundo nível de relacionamento que foi afetado em decorrência da queda é o interpessoal. Nem é preciso estender-me muito para demonstrar como as relações humanas estão deturpadas, basta atentar para alguns sinais mais do que visíveis em qualquer sociedade. A violência é um deles, fazendo prevalecer sempre a vontade e os interesses do mais forte, e não do mais justo. A exploração do próximo em benefício de si mesmo, o engano, a deslealdade, o desrespeito e uma infinidade de outras características semelhantes têm marcado a humanidade desde aquele fatídico dia.
Um dos aspectos mais afetados nessa área, certamente, foi o do relacionamento sexual. Nem é preciso descrever coisa alguma para se perceber quão deturpadas estão as sociedades em relação ao sexo. Desde as mais permissivas, como as do Ocidente, que fomentam todo tipo de impureza, até as castradoras e opressoras, que transformam a atividade sexual legítima em um fardo. Creio que o texto bíblico refere-se aos aventais que Adão e Eva fizeram para si, exatamente para retratar a deturpação dos relacionamentos, dos quais o sexual é, seguramente, o mais intenso e íntimo.
Quando nos convertemos, nossos relacionamentos têm de ser consertados. A Palavra nos exorta a nos darmos bem com todos que se relacionam conosco: Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens (Rm 12.18). Até com nossos inimigos precisamos agir de modo diferente: Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?
Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus (Mt 5.43-48). O apóstolo Paulo, aplicando esse ensino do Mestre, diz: Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça (Rm 12.20).
Quanto ao relacionamento conjugal, a Bíblia toda está repleta de orientação para o povo de Deus ser mais que vencedor na área em que, infelizmente, o diabo ainda reina entre aqueles que não aceitaram ao Senhor Jesus como Salvador. Em nosso estudo por meio da Palavra, abordaremos cada uma dessas orientações, mas só para demonstrar como Deus deseja que o casal usufrua das bênçãos que Ele criou (quem instituiu o sexo foi Deus, e não Satanás), veja o que o Senhor diz ao esposo: Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, como cerva amorosa e gazela graciosa; saciem-te os seus seios em todo o tempo; e pelo seu amor sê atraído perpetuamente (Pv 5.18,19). E, no Livro de Cantares, a esposa diz ao seu amado: Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho (Ct 1.2). Acho que isso ilustra bem o que Deus pensa do relacionamento sexual legítimo, devidamente restaurado.
Por fim, a terceira relação quebrada por causa do pecado foi a comunhão com Deus. Ora, se o homem fora criado exatamente para relacionar-se com o Senhor, se essa era a razão que lhe dava sentido para existir, coisa alguma lhe devia dar mais prazer do que estar na companhia do Criador. Mas o que o texto diz que aconteceu? Assim que o homem desobedeceu à ordem do Senhor e comeu do fruto proibido, em vez de prazer, ele teve medo de Deus e fugiu de Sua presença.
O Senhor Jesus veio ao mundo para nos resgatar, pois estávamos todos perdidos, fugindo do Senhor: Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos (Is 53.6). A conversão nada mais é do que o reencontro com o Senhor Deus. É quando reconhecemos que nossa forma de viver era, até aquele ponto, contrária à vontade dEle, assim como a atitude de nossos primeiros pais o foi. Mas, em Jesus, queremos mudar de vida e voltar a ter plena comunhão com Deus, não somente fazendo o que Ele manda, mas também recuperando a posição que seria nossa desde a criação, e que nos foi roubada pelo inimigo.
Quando temos nossa relação com Deus restaurada, tornamo-nos naquilo que o Senhor planejou que fôssemos desde o princípio: Porque somos feitura sua, criados
No próximo estudo, veremos como o Livro de Gênesis demonstra a deterioração do mundo criado e as soluções que o nosso sábio Deus encontrou para resolver tudo isso. Até lá.
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